Há muito tempo atrás existia o que chamamos de Pré-história, os homens viviam de forma primitiva e agiam com perplexidade à qualquer nova descoberta que eles fizessem. O fogo foi uma delas, essa descoberta gerou uma disputa entre eles, a disputa pelo poder, poder este atribuído a um novo conhecimento dominado por um determinado indivíduo ou grupo.
Até hoje, pode-se dizer que essa imagem tão distante de nossos primórdios, ainda pode ser vista no homem moderno, essa disputa pelo poder ainda que de forma disfarçada, ou seja, não fisicamente disputada como antes, mas agora de forma intelectual é presente no cotidiano do ser humano.
A descoberta de novos conhecimentos fez com que a humanidade evoluísse gradativamente, e foi através da ciência que essa evolução se tornou possível. Mas para que houvessem descobertas e teorias do mundo, primeiramente o homem precisava evoluir por si mesmo, e é isso que observamos ao analisar o docorrer de nossa história. Primeiro o homem desenvolveu seu raciocínio, depois desenvolveu seu auto-conhecimento, para então compreender o que estava ao seu redor e então compreender o mundo.
Em nossa história da evolução da ciência, muitos gênios, pensadores, físicos, filósofos e muitos outros deixaram sua marca com descobertas nunca antes imaginadas pelo homem, e isso fez da ciência o que ela é hoje.
Darwin, Mendel, Einstein e outros mitos, ajudaram a escrever a história da ciência, seja na biologia, na genética, na física, na matemática e em tantas outras áreas de conhecimento científico, e isso influenciou fortemente no desenvolvimento da humanidade.
Para que a ciência chegasse ao ponto que vemos hoje, foi preciso percorrer um longo caminho de barreiras e dificuldades para o desenvolvimento da ciência, os impedimentos eram de origem política, social, religiosa e moral, tais quais podem ser vistos até hoje, mesmo nos tempos modernos em que nos encontramos. Mas a questão é: e se essas barreiras nunca tivessem existido, se toda e qualquer tipo de pesquisa e descoberta, ou seja, se o “ fazer ciência ”, não tivesse sido limitado, onde e como estaríamos hoje? Será que mais evoluídos ou mais destruídos?
Estes questionamentos abrem um leque de dúvidas à respeito das respostas, pois os pontos de vista são amplos e se dividem em aspectos positivos e negativos. Já diria Morin, que “a ciência é ambivalente, que pode tanto ser benéfica para a humanidade como destruí-la”. Seria ingenuidade de nossa parte pensar que a ciência atua apenas para que a humanidade evolua, para que haja mais qualidade de vida, saúde etc., pois não é exatamente isso que observamos. É claro que as mudanças e melhorias da sociedade são claras, e isso somos gratos à ciência, mas também precisamos ressaltar aquele lado negativo que não ficou muito claro, quer dizer não ficou claro aqui no texto, mas na sociedade está bem evidente.
A ciência mostra seu lado destrutivo, quando constrói bombas, como a de Hiroshima, quando produz armas biológicas, quando polui mares e rios, quando provoca a degradação ambiental e mudanças climáticas, ou seja quando destrói gradativamente o mundo. Tudo isso em prol da evolução da sociedade, da industrialização, das finanças, da comercialização do homem, da política, na verdade, resumidamente em prol do poder.
Obviamente hoje somos seres humanos muito mais desenvolvidos e garantidos pela ciência, na área médica por exemplo, há cirurgias realizadas com simplicidade que há alguns anos levavam horas para serem realizadas e submetiam o paciente a riscos de morte, os medicamentos são mais eficientes, há cura para diversas doenças e aquelas que ainda não descobriu-se a cura, há uma luta incessante pela sua descoberta. Vivemos em nossas casas com tecnologias por todos os lados que facilitam e promovem conforto, nossa alimentação é alvo de grandes estudos, que nos garantem mais saúde e mais qualidade de vida.
Mas para que toda essa melhoria em nossas vidas ocorressem, precisaríamos de tantos aspectos negativos na ciência? Ou os aspectos negativos são conseqüências obrigatórias do “ fazer ciência” ? Será que há uma fórmula por assim dizer de “fazer ciência” apenas com benefícios?
Se essas perdas ou esse “lado negativo” da ciência for então inevitável, então qual saída devemos tomar? Talvez a saída seja impor limites. Mas como estabelecer limites à ciência, se é que eles realmente existam.
Os limites da ciência funcionariam como a visão, ou seja, enxergamos até onde conseguimos, no limite de nossos olhos, e fazemos ciência da mesma forma.
Mas voltando aos impedimentos da realização da ciência, existentes até hoje, mesmo que consigamos ir além do que possamos imaginar, ainda haverá os aspectos morais, sociais, políticos e até mesmo religiosos, que serviram de impedimento.
Podemos citar como exemplos, a clonagem, a utilização de células tronco, os produtos trangênicos, tão discutidos atualmente. O estudo das células tronco por exemplo é mal visto por religiosos e políticos e a discussão a respeito é enorme. Projetos de lei aprovados, que impedem a manipulação de embriões humanos travam nosso cientistas, que lutam por uma descoberta que um dia poderá ajudar os próprios políticos que hoje impedem a sua realização.
A opinião religiosa que interfere e influencia a sociedade, ainda que um pouco menos influente nos dias atuais, mas ainda sim continua presente. Devemos ouvir e concordar com aqueles que pensam que aumento de natalidade e propagação de doenças sexualmente transmissíveis como a Aids, é melhor do que o uso de camisinha? E que ainda baseiam suas teorias e defendem duas idéias baseados num livro escrito a mais de mil e trezentos anos atrás?
Será que o problema não está no pensamento individual ? Mesmo com tão vasto conhecimento disponibilizado à sociedade, as pessoas em sua maioria não se interessam, não lêem, não se aprofundam no conhecimento, para que possam ter uma opinião própria e fundamentada, a informação está posta, mas embora tão fácil e acessível, chega a ser banalizada. As pessoas preferem basear sua opinião e concluir seus pensamento baseado em informações passadas por meios de comunicação. É preciso ter mais conhecimento para que se possa opinar e lutar por direitos civis.
Desde que a ciência não promova destruição, morte e discórdia entre os homens, ela se torna benéfica e sua evolução trará cada vez mais benefícios para nós.
A ciência limitar-se-á ao desenvolvimento intelectual do ser humano e no pensamento ético de preservar sua própria raça.